Julho 8, 2026
IRS 2025: Os erros que te podem sair caro quando tens rendimentos mais complexos
Todos os anos, quando começa a campanha do IRS, voltamos a ouvir os mesmos conselhos: validar as faturas no e-fatura, confirmar o agregado familiar e verificar as deduções à coleta.
Tudo isso é importante. Mas a verdade é que muitos dos erros que encontro diariamente não estão aí.
Os problemas mais sérios surgem quando existem rendimentos menos comuns, investimentos, rendimentos do estrangeiro, mais-valias ou situações que exigem anexos específicos.
E é precisamente nesses casos que um pequeno erro pode traduzir-se em impostos pagos a mais, declarações incorretas ou até pedidos de esclarecimento por parte da Autoridade Tributária.
O IRS não é igual para todos
Muitas pessoas continuam a pensar que entregar o IRS consiste apenas em aceitar os valores pré-preenchidos e submeter a declaração.
No entanto, quando existem vendas de ações, ETFs, imóveis, rendimentos obtidos no estrangeiro, dividendos ou outros rendimentos de capitais, a realidade é bastante diferente.
Nestes casos, a responsabilidade de reunir a informação correta continua a ser do contribuinte.
Mais-valias: um dos erros mais frequentes
A venda de ações, ETFs ou outros instrumentos financeiros é uma das situações onde encontro mais dificuldades.
Muitas vezes o contribuinte entrega apenas um relatório da corretora ou informa que vendeu determinados ativos durante o ano.
Mas para preencher corretamente a declaração é normalmente necessário conhecer:
- Data de compra
- Valor de compra
- Data de venda
- Valor de venda
- Comissões cobradas
- Moeda utilizada
- País da corretora
Nem todas as plataformas fornecem esta informação de forma organizada para efeitos de IRS em Portugal.
Por isso, quanto melhor for o registo mantido ao longo do ano, mais simples será o processo.
Rendimentos do estrangeiro: um tema cada vez mais comum
Com o crescimento do trabalho remoto e dos investimentos internacionais, é cada vez mais frequente encontrar contribuintes com rendimentos obtidos fora de Portugal.
Aqui surgem frequentemente dúvidas relacionadas com:
- Dividendos recebidos do estrangeiro
- Juros de contas ou investimentos
- Salários pagos por entidades estrangeiras
- Pensões do estrangeiro
- Prestação de serviços a clientes internacionais
Uma situação que encontro frequentemente é a ideia de que, por, o dinheiro não ter entrado numa conta portuguesa, não existe obrigação declarativa.
Na maioria dos casos, essa conclusão está errada.
Por isso, é fundamental guardar comprovativos dos rendimentos recebidos e dos impostos eventualmente pagos no estrangeiro.
O contabilista não adivinha
Um dos maiores desafios na preparação das declarações de IRS é a falta de informação.
Muitas vezes o contribuinte entrega apenas parte da documentação ou assume que determinados rendimentos não são relevantes.
O resultado é simples: o risco de erro aumenta.
Sempre que existam situações mais complexas, é recomendável fornecer ao contabilista:
- Relatórios anuais das corretoras
- Comprovativos de compra e venda
- Documentação relativa a rendimentos estrangeiros
- Comprovativos de retenções de imposto
- Contratos ou documentos de suporte
- Explicação clara das operações realizadas durante o ano
Uma boa explicação do que aconteceu durante o ano vale muitas vezes mais do que dezenas de documentos enviados sem contexto.
Nem sempre é fácil obter respostas
Outro aspeto que merece atenção é a procura de esclarecimentos junto dos canais de apoio da Autoridade Tributária.
Embora existam profissionais muito competentes, a realidade é que algumas situações mais complexas nem sempre obtêm uma resposta imediata.
Por vezes são necessárias várias chamadas, diferentes interpretações ou bastante tempo até se conseguir confirmar o enquadramento correto.
Por esse motivo, deixar tudo para os últimos dias da campanha raramente é uma boa estratégia.
O melhor IRS começa antes da entrega
A maioria dos problemas que aparecem em maio e junho começa, na verdade, muitos meses antes.
Guardar documentação, manter registos organizados e procurar aconselhamento atempadamente continua a ser a melhor forma de evitar erros.
O IRS não é apenas uma obrigação anual.
Para quem tem investimentos, rendimentos do estrangeiro, mais-valias ou outras situações específicas, o trabalho começa muito antes do momento de carregar no botão “submeter”.
E quanto melhor preparada estiver a informação, menor será o risco de surpresas desagradáveis.
Os 10 documentos que nunca deves apagar antes de entregar o IRS
Todos os anos encontro contribuintes que sabem que tiveram rendimentos, investimentos ou operações durante o ano, mas já não conseguem encontrar os documentos necessários para preencher corretamente a declaração.
Se tens situações mais complexas, estes são alguns dos documentos que deves guardar:
1. Relatórios anuais das corretoras
Especialmente se compraste ou vendeste ações, ETFs, obrigações ou outros instrumentos financeiros.
2. Comprovativos de compra e venda de investimentos
Nem sempre os relatórios anuais incluem toda a informação necessária.
3. Comprovativos de dividendos recebidos
Principalmente quando existem rendimentos provenientes do estrangeiro.
4. Comprovativos de retenções de imposto
Em Portugal ou no estrangeiro.
5. Escrituras de compra e venda de imóveis
Essenciais para o cálculo de mais-valias.
6. Faturas de obras e despesas relacionadas com imóveis
Podem ser relevantes em determinadas situações de mais-valias.
7. Contratos de arrendamento
Importantes para quem recebe rendimentos prediais.
8. Comprovativos de rendimentos obtidos no estrangeiro
Salários, prestações de serviços, pensões ou outros rendimentos.
9. Declarações emitidas por entidades pagadoras
Sempre que existam rendimentos sujeitos a retenção ou comunicação fiscal.
10. Comprovativos de contribuições para a Segurança Social
Particularmente importantes para trabalhadores independentes.
Uma recomendação simples
Cria uma pasta digital para cada ano fiscal.
Sempre que receberes um documento relacionado com rendimentos, investimentos, imóveis ou impostos, guarda-o imediatamente.
Parece um detalhe pequeno, mas pode evitar horas de trabalho, erros na declaração e muitos pedidos de esclarecimento no futuro.